20 de jul de 2011

Plato Divorak & Os Exciters



Lisergia pop para as massas

Por Pedro Brandt

Ter conhecido o disco Plato Divorak & Os Exciters ainda em 2007, logo depois de ele ficar pronto, foi um privilégio. De lá para cá, devo tê-lo ouvido algumas centenas de vezes. Acredito que ao colocar o CD para tocar você vai entender o porquê do meu entusiasmo.

Cantor e compositor gaúcho na ativa desde os final da década de 1980, Plato é uma verdadeira entidade porto-alegrense. Agitador cultural, figurinha do underground, lenda viva, gênio da raça, Plato esteve envolvido em uma série de projetos musicais, como as bandas Père Lachaise e Lovecraft; a parceria com Frank Jorge, Frank & Plato e Empresa Pimenta; Momento 68, e, claro, sua carreira solo. O disco com os Exciters é um marco na carreira do Plato por vários motivos.

Primeiramente, por ser seu disco mais pop, acessível e bem acabado. Segundo porque Plato Divorak & Os Exciters é o primeiro álbum do cantor que não tem cara de antologia, de colcha de retalhos com faixas gravadas com músicos diferentes, em momentos diferentes e em estilos diferentes. Existe no disco uma unidade tanto estilística, quanto de gravação e também na formação da banda que o gravou.

Quando o guitarrista Leonardo Bomfim (também cineasta, co-diretor do documentário Nas paredes da pedra encantada, sobre o mítico LP Paêbirú, de Lula Côrtes e Zé Ramalho) se tornou parceiro de composições do Plato, nasceu a banda Plato Divorak & Clepsidra e um novo repertório. Algum tempo depois, com novos integrantes e um novo nome, eles resolveram entrar em estúdio e gravar seu disco de estreia. A produção ficou a cargo do renomado Thomas Dreher (que já trabalhou com Júpiter Maçã, Bidê ou Balde, Cachorro Grande, Júlio Reny, entre outros).

O disco, além de músicas da época da Clepsidra e outras criadas já como Exciters, recupera composições de Plato & Os Sha-Zams (Puressence oscillator) e Frank & Plato (Sonâmbulos da Motor-Magic). Nas letras, da primeira à última música, percebe-se o idiossincrático e irreverente surrealismo pop do compositor.

O álbum abre com a garage stomper Eu sou um ídolo pop! (faixa introduzida por um poema divorakiano). Na sequência, vêm as anfetaminadas Casal beat e Harmonix: o pior planeta. A singela balada Many years young dá uma acalmada nos ânimos só para Jacqueline dos Theatros — o hit do disco — surgir quebrando tudo (com direito a arranjos de metais e cravo).

Maquiagem tropicalista é mais uma faixa que confirma a vocação pop de Plato. Na já citada Puressence oscillator chamam a atenção os teclados do convidado Ricardo Farfisa (um dos grandes nomes do instrumento no Brasil e frontman da Laranja Freak) — que, aliás, estão espalhados pelo disco.

A dança do exciter e Úrsula são duas velhas conhecidas dos shows da Clepsidra e aparecem aqui em suas versões definitivas. Mais uma vez os metais dão as caras, desta vez  em A pow of trainta, música que acena para o lado mais lisérgico dos Yardbirds. Por falar nisso, as influências do disco passeiam por grandes bandas dos anos 1960, num encontro da Swinging London com a cena psicodélica da West Coast americana, reverenciando nomes como Love, The Who, Pretty Things e ainda a soul music da Stax. 

Canção de amor é a segunda balada do disco (afinal, Plato é um cara romântico). A versão da banda para Sonâmbulos da Motor -Magic só reforça o quanto o disco de Frank & Plato — que começou a ser gravado nos anos 1990, mas nunca foi finalizado — precisa urgentemente ganhar a luz do dia. Vinheta de autoria de Leonardo Bomfim, Através dos pássaros do fogo mas não do vidro faz a ponte para a última música do disco. Baby Denmark finaliza o álbum com muito groove, acidez e passagens climáticas. A música desenboca em uma infinita faixa bônus feita de colagens e ruídos white noise à Stockhausen. Quem se atrever a ouvi-la encontrará momentos de sabedoria, falatórios e bordões divorakianos.

A capa do disco, uma explosão multicolorida feita por Diego Medina, é o complemento ideal para o que sai das caixas de som.

Na época da gravação, os Exciters eram Leo na guitarra e backing vocals, Rodrigo Layne no baixo e Diego Cartier na bateria — formação que se desfez logo depois de o disco ficar pronto. A formação atual da banda segue com Leo e Bruno Ruffier nas guitarras, Felipe Faraco no baixo e Pedro Petracco na bateria (os dois últimos, aliás, fizeram parte da primeira formação da Clepsidra).

Se você nunca ouviu nada de Plato Divorak, este disco é, definitivamente, o lugar certo para começar. Mas tome cuidado: uma vez iniciado no universo divorakiano não há volta!

* Pedro Brandt é jornalista e produtor do projeto Tributo ao Plato.

2 comentários:

  1. Who is Plato Divorak? He's a very naughty boy!

    Sei la. Eu ouvi falar que ele eh astro de filme de sacanagem, um tal de "PLATO X."

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  2. O nome do filme de sacanagem estrelado pelo Plato é "Na boca da tricha: de Marte às peladas". Leia mais sobre esse episódio aqui: http://moderninho.wordpress.com/2008/04/21/entrevista-plato-divorak/

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